
Sou o bicho da tormenta, o monstro castigador, quero ferir e castigar os fracos que corrompem a minha perfeita roda da vida; espancar, selvaticamente, os perpetradores que, tísicamente, se ajoelham à minha frente, esperando um perdão que nunca darei. Eu sou a cegueira do mal, a fúria encarcerada de um inocente; eu sou a besta que há em cada homem, o pecado que se ri em cada boca. Cravo caminhos de sangue na pele virgem dos coitados, alimento-me dos gritos de dor dos inocentes, teço o meu prazer nas costas dos puros; em cada lágrima de sofrimento, ganho um novo alento, um novo fôlego etéreo, que me conduz vertiginosamente à álgida morada do vazio.